Cria Arquitetura | Imprensa : Atitude Sustentável nº 2

Atitude Sustentável nº 2

Atitude Sustentável  nº 2

Por onde começar

Para ter a casa pronta, o processo é bastante longo e mais complexo que podemos imaginar. Não basta simplesmente ter a idéia e fazer as coisas por conta própria. É preciso ter o acompanhamento de profissionais especializados desde o início. “O tema sustentabilidade na construção é bastante multidisciplinar e envolve vários profissionais para darem conta do projeto. Nunca é feito por uma só cabeça. Então, quem quer ter uma casa sustentável, deve levar em consideração contratar uma orientação nessa linha e buscar profissionais que já conhecem o assunto” alerta Juliana Boer, arquiteta da Cria Arquitetura.

A Arquiteta Daniela Corcuera, da Casa Consciente, explica que o projeto de uma construção sustentável deve considerar a “eficiência do projeto de edificações, otimização de espaços, redução de fluxos, acessibilidade, modulações, planejamento de retrofit, projeto de desmonte, detalhamentos e padronizações, e conforto ambiental, privilegiando as energias passivas-iluminação e ventilação natural, por exemplo”. Daniela atenta para que o fato de que uma casa sustentável começa com a escolha do terreno, que leva em conta diversos fatores, como inserção urbana e regional, preservação de áreas intocadas, impactos sobre a vizinhança e o meio ambiente, além de ter uma boa insolação e ventilação natural.

É inevitável a comparação entre projetos de uma residência tradicional e de uma que seja sustentável. E de fato algumas mudanças são previstas e fundamentais. É o que explica Juliana. “O projeto sustentável muda um pouco a forma de trabalhar. No jeito convencional, o arquiteto faz o projeto, os engenheiros fazem os projetos complementares e seguem o que o arquiteto determinou. É um caminho bem fragmentado. Quando falamos de um projeto sustentável, todos os profissionais devem se envolver desde o começo. Não é primeiro contratar um arquiteto e depois um engenheiro. Em tese vai contratar uma equipe. A forma de projetar muda, com o máximo de informações técnicas desde o início”.

Na fase posterior ao projeto, é necessário buscar materiais que sejam compatíveis com o propósito de uma construção sustentável. Daniela chama a atenção para esse fato e propõe que os interessados façam algumas perguntas aos fornecedores: “qual a origem da matéria prima, se emite compostos orgânicos voláteis na produção e na produção e na utilização, quanta energia consome na produção e transporte, qual a durabilidade, se é fabricado sob condições justas, que tipo de resíduo e quantidade gera, alem da destinação que recebem”. Por mais que sejam muitas as perguntas, não podem ser ignoradas. E apesar de muitos detalhes, os fornecedores brasileiros já estão mais preparados para essa demanda. “O mercado brasileiro já melhorou muito. Hoje é absurdamente mais fácil encontrar fornecedores com produtos bons, além de mais especificações de materiais e tecnologias” complementa Juliana. 
Com tantos detalhes e profissionais envolvidos, uma pergunta vem quase automaticamente: quanto a mais vou ter que pagar para ter uma casa sustentável? “Qualquer custo que agregue uma tecnologia tem impacto grande em uma casa menor. Quando falamos em casas de alto padrão, o custo é diluído, pois já é alguém que pagaria mais caro por materiais diferentes” explica Juliana. A estimativa, segundo informações da arquiteta Daniela, é que uma edificação sustentável tem um custo adicional de 5 a 10% quando comparada a uma construção convencional. “Contudo, vale lembrar que algumas soluções não representam custo adicionais se bem trabalhadas na fase de projetos” esclarece. Já Márcia acrescenta que “o acréscimo de valores em projeto e na inserção de tecnologias incomuns em soluções padrões de mercado apresentam retornos financeiros muito atrativos”.

Mas se eu não pretendo construir e quero fazer algumas mudanças, é possível? “Sim. Existem recursos bastante acessíveis para incorporar na própria casa, como vasos sanitários que utilizam menos água para descarga, uso de lâmpadas econômicas fluorescente ou de led, e eletrodomésticos que gastam menos energia”,responde o arquiteto André Einsenlohr.Mas existe outras opções como diz Daniela: “projetos que não foram inicialmente concebidos com o conceito de sustentabilidade podem lançar mão de algumas soluções posteriores. Algumas medidas simples incluem aquecedor solar de água, paisagismo local ou adaptado para reduzir o consumo de água potável, sombreamento da fachada oeste e locais para armazenagem de resíduos para reciclagem.